XIV Encontro da Associação Brasileira de Literatura Comparada

Ementa - Sessões Coordenadas

Ementa: Em Papeles de Montevideo, de junho de 1997, a crítica Eneida Maria de Souza escreveu um artigo intitulado “Os livros de cabeceira da crítica”. Nele a autora relata a trajetória da crítica literária brasileira nos centro sul e sudeste do Brasil, nas atividades de pesquisa das universidades como PUC, USP e UFRJ, situando-as a partir do ponto inicial de 1977, mais especificamente no IV Congresso de Professores de Literatura, realizado na PUC do Rio de Janeiro. O quadro desenhado era o seguinte: (...) abordagem sociológica da literatura, a sistematização de um pensamento crítico brasileiro e a recuperação de fontes primárias através dos estabelecimento de edições críticas (USP) ; enfoque estruturalista de natureza antropológica, psicanalista e sociológica, e de reflexões filosóficas ligadas às reflexões de Jacque Derrida e aos questionamentos institucionais de Michel Foucault (PUC-RJ); indagações filosóficas e visão ontológica do literário (UFRJ); e revisão crítica da crítica brasileira, da literatura gaúcha, com tendências metodológicas centradas na relação entre literatura e história (UFRGS e PUC-RJ).A autora segue seu texto considerando os aspectos relativos aos debates à época e seus desdobramentos nos anos 80 em torno da crítica literária. Desses desdobramentos é importante ressaltar o deslocamento em direção à democratização na transmissão dos saberes e consequente perda de controle e domínio dos formadores de uma escola crítica Esses deslocamentos permitiram sair da clausura do olhar apegado ao valor intrínseco da obra e da literariedade em direção à abertura do texto. Abertura essa que se dava em outros campos de saber: descentramentos etnológicos pela antropologia; estudos de textos da cultura popular, do cotidiano e de massa em diferentes formas e manifestações; estudos de discursos de minorias; e estudos de linguagem no campo do signo e do texto. Possivelmente, desde esse ponto, literatura, história e cultura participarão de um discurso crítico orquestrado em torno de um campo interdisciplinar. Entendendo esse “inter” como momento ou estado da questão, posicionamento de disciplinas para elaboração de uma síntese muitas vezes provisória de um tempo e lugar de enunciação. A compreensão de que a literatura pode ser importante intermediadora simbólica do sujeito, tempo e lugar, também uma forma artística de alcance extratextual, ou melhor, extraestético, através do “sentido como efeito de superfície e posição”. Essa trajetória sintetiza o estado da questão e do posicionamento crítico do pesquisador e crítico de estudos literários nos dias atuais, de ter que dizer de que ponto e qual perspectiva seleciona seu corpus, recorta seucampo, descreve, narra e edita seus resultados de pesquisa. Finalmente, de que pontos de crítica elabora seu discurso teórico-crítico.

Ementa: A atividade de tradução pode ser entendida como um espaço de reflexão, crítica e produção literária, sempre estabelecendo uma relação entre aquilo que é próprio de uma determinada língua e/ou cultura e o que é estrangeiro a ela, circunscrevendo a distância inevitável entre o texto original e o texto traduzido. A tradução pode ser entendida também como um ato de releitura e recriação que se efetua sobre outros textos, em muitos casos podendo atualizar e reconfigurar o cânone literário.

Ementa: Esta sessão temática tem como objetivo principal reunir trabalhos voltados para os temas da literatura de expressão amazônica, tendo em vista toda a produção na e da Pan-Amazônia, além de contemplar a circulação das demais produções literárias presentes nessa região.

Ementa: Discutir resistência significa pensar acerca dos antagonismos, das lutas, dos enfrentamentos, das divergências, das provocações e desafios que marcam todo ethos resistente. Esta sessão de comunicação ora proposta aceita, portanto, trabalhos que desnudem construtos epistemológicos, caminhos e reflexões sobre obras literárias em que a resistência se faz presente.

Ementa: Esta sessão temática tem como objetivo principal reunir trabalhos voltados para a produção, circulação e recepção de romances no Brasil e na Europa ao longo do século XIX. Tendo em vista as relações econômicas, culturais e políticas entre a ex-colônia portuguesa na América e sua antiga metrópole, ao lado de países como França e Inglaterra, procuraremos promover discussões acerca do diálogo literário oitocentista entre a cultura letrada brasileira e a europeia.

Ementa: Esta sessão propõe-se a promover o encontro de pesquisadores que, na área dos Estudos Culturais, dedicam-se ao estudo da literatura e sua intersecção com os estudos transdisciplinares sobre a diversidade cultural, formações identitárias, com enfoque nas interações intercultuais na contemporaneidade e estudos da literatura e sua relação com as instituições políticas como espaços de intercambio, cruzamento e conflito.

Ementa: Poderíamos considerar a escrita feminina algo que decorre da essência das mulheres, uma escrita que se produz como uma construção social, uma busca de identidade? Lenta na busca de se impor no cânone literário tradicional, por muito tempo invisível em um imaginário coletivo tradicionalmente masculino, a escrita de autoria feminina segue com uma forma própria de pensamento, sem limites de origem, fronteiras e vozes.

Ementa: A memória tanto no plano individual ou coletivo, pretérito ou futuro, quanto nos aspectos referentes aos buracos do esquecimento, é matéria responsável por gerir a literatura e essa produção ancorada nos processos mnemônicos, ao mesmo tempo, também se constitui em acervos para a restauração da história social. A presente sessão pretende discutir estudos em que o texto literário, oral ou escrito, referencie sua relação com a memória cultural.

Ementa: A cria(ção)tividade literária é um “dom” e/ou requer apenas método? Qual(is) o(s) limite(s) para se definiro que é literário e não literário nos gêneros literários no século XXI? A (não) expressão de si na criação literária é possível? A intertextualidade é (a ausência de) criatividade? Essas indagações são alguns dos possíveis pontos de partida para os temasque abrigarão a sessão de comunicação sobre criação literária e a escrita de si.

Ementa: A literatura infância entre a letra e a voz. A infância e a literatura. literatura, criança, imaginária. A literatura infantil e a educação. A literatura infantil e a formação de leitores. Espaços de leitura. Contadores de história urbanos e espaços de atuação. Autores da literatura infantil e a crítica literária. Memórias de leituras de textos infantis. A literatura infantil é a grande possibilidade de formar leitores e, por isso, os profissionais de letras, bem como o de educação, devem, por dever de ofício, ter o compromisso político de entender o universo da criança e as formas de expressão que devem ser desenvolvidas na infância. Nesse sentido, a literatura, uma das formas de expressão da cultura deve ter um lugar especial na escola, principalmente porque, às vezes, as crianças têm acesso, ao livro literário infantil, apenas no espaço escolar. Assim sendo, necessário se faz debater sobre o texto literário produzido para a infância e as instâncias que envolvem a formação do leitor.

Ementa: Esta sessão pretende discutir práticas educativas, sobretudo as escolarizadas, que incentivem diálogos interdiscursivos, bem como letramentos que se expressem pela língua. Neles a literatura deve dialogar consigo e com outras mídias, para além de um evento banal e corriqueiro do mundo líquido moderno que se desmancha no ar.

Ementa: Filosofia e Literatura, em que pesem suas diferenças, possuem um solo comum: a linguagem e o pensamento. Neste sentido, a Literatura é a fonte da própria Filosofia, pois esta, surgida muito depois daquela – somente por volta do século VI a.C. –, veio a percorrer questões, em um novo registro, que já se ofereciam à poiésis, a força criadora que anima a Literatura. Percorrer a tensão criativa que se manifesta na identidade e diferença entre Literatura e Filosofia é o que propõe a presente sessão da ABRALIC. Serão aceitos trabalhos que tanto abordem as relações entre Literatura e Filosofia quanto os que realizem a crítica de obras artísticas (portanto, não somente literárias) em uma dimensão filosófica.

Ementa: Priorizam-se discussões sobre os seguintes temas: formação e preservação de acervos de documentos e outros objetos culturais; contribuições das pesquisas em fontes primárias para a renovação das histórias das literaturas; métodos, posturas e experiências de pesquisa em acervos públicos, privados ou mistos; pesquisas em periódicos e a reavaliação dos cânones literários; o trabalho com as fontes orais e a formação de acervos de vozes e imagens; acervos de escritores e escritoras: questões éticas, políticas e culturais.

Ementa: A sessão de comunicação intitulada Literatura juvenil e formação de leitor tem como objetivo agregar trabalhos que possam discutir a literatura produzida para jovens leitores, com ênfase para a produção brasileira. Os trabalhos poderão abordar tanto aspectos teóricos relativos àprodução literária quanto as instâncias formadoras do subcampo literário formado em torno desta produção. Também serão aceitos trabalhos que possam abordar as relações entre a literatura juvenil e sua contribuição para a formação de leitores tanto no espaço escolar como em outros espaços onde se observam práticas de leitura.

Ementa: A reflexão estética da modernidade: crítica e teoria. Literaturae outras artes. Autonomia e heteronomia da arte. Relações com a filosofia e com a história.Produção/ recepção, escrita/ leitura. Crise, ruptura e negatividade: tradição e vanguarda. Lirismo, subjetivismo e impessoalidade: a questão do sujeito. Formalismo e narratividade.

Ementa: "Discussões sobre o diálogo da literatura com outros campos do conhecimento, com prioridade para as relações entre: literatura e modernidade, literatura e ensino, cartas de escritores e processos criativos. O objetivo é compreender, a partir das contribuições da Literatura Comparada e das Teorias Críticas, o modo como temas e tensões dominantes na literatura possibilitam as construções de sentidos do texto literário".

Ementa: A esta sessão de comunicações interessam trabalhos que versem sobre a questão dos arquivos literários, entendidos aqui interdisciplinarmente: estudos sobre manuscritos, documentos pessoais (cartas, rascunhos, diários, notas de trabalho), organização de acervos, edições críticas, suplementos e o que mais seja pertinente a uma discussão a respeito do caráter memorial da produção literária e de seus rastros, independentemente dos suportes em que se verifiquem seus registros.

Ementa: O recorte temático desta sessão abarca, sobretudo, o exame das relações entre a Crítica, entendida como atividade distinta da Teoria e da Historiografia Literárias, e o processo de produção literária, em perspectiva comparativista. Cada investigador apresentará o seu percurso de análise, procurando levar ao público uma discussão crítica sobre seu objeto de pesquisa, bem como sintetizar as bases teórico-metodológicas em que se assentam os estudos sob sua responsabilidade.

Ementa: Na atualidade, tem-se assistido a um avanço considerável nos estudos da cultura em uma relação institucionalmente significativa com os estudos da literatura. Os trabalhos a serem apresentados, nessa sessão, devem enfatizar a contribuição dos estudos da literatura para a compreensão da cultura, assim como mostrar que os estudos literários podem enriquecer as abordagens interdisciplinares relativas à cultura.

Ementa: Apresentação crítica de aspectos analítico-interpretativos de representativos autores e/ou ensaístas de diferentes regiões do Brasil, postos em diálogo com seus pares de outras regiões dentro desse mesmo território nacional, com vistas a discutir os aspectos de representação nacional/regional, plasmados em obras estéticas ou textos programáticos. A ênfase preferencial se dará às leituras que cruzem obras do gênero narrativo narrativo e dramático.